Na manhã desta quinta-feira (22), moradores do Jardim São Manoel, na Zona Noroeste de Santos, realizaram um protesto em frente ao Conjunto Habitacional Prainha II, que se arrasta por meses. Cerca de 50 pessoas se reuniram para queimar pneus e exibir cartazes, clamando por respostas sobre os atrasos na mudança para os novos apartamentos do programa Vida Digna.
As famílias, que há anos vivem em áreas vulneráveis a inundações, expressaram sua frustração com a falta de informações sobre a assinatura dos contratos e a entrega definitiva das chaves. Valeska Cristina Santos, uma das moradoras que aguardam a mudança, é um exemplo da angústia coletiva. Ela foi uma das primeiras a receber a promessa de um lar novo durante uma cerimônia simbólica em janeiro, mas desde então, a expectativa se transformou em desilusão, com adiamentos sucessivos.
“Achamos que seria algo rápido, mas até hoje estamos esperando. Falaram que seria em julho, depois agosto, e agora já estamos em outubro. Meu barraco está caindo, e só quero o que é meu”, desabafou Valeska, refletindo a ansiedade de muitos que sonham com a mudança.
O governo estadual havia anunciado em janeiro a entrega de 574 apartamentos do Prainha II, um projeto que recebeu um investimento significativo de R$ 148,7 milhões e promete trazer melhorias para as famílias que vivem em condições precárias. Contudo, as promessas não se concretizaram no tempo esperado, e a esperança dos moradores se esvaiu com cada novo atraso.
A Companhia de Habitação da Baixada Santista (Cohab-Santista) informou que as mudanças estão programadas para começar no dia 4 de novembro e que novas assinaturas de contrato estão previstas para a próxima semana. A Cohab-Santista também garantiu que, à medida que as famílias desocuparem suas atuais moradias, as casas antigas serão demolidas.
O Prainha II, construído pela CDHU em um terreno doado pela União, oferece apartamentos que variam de 47 m² a 50 m², com infraestrutura adequada, incluindo áreas de lazer como quadra poliesportiva e playground. Os financiamentos são acessíveis, com condições favoráveis para famílias de baixa renda.
Enquanto a expectativa de mudança se aproxima, os moradores do Jardim São Manoel seguem na luta por dignidade e um lar seguro.


