A influenciadora digital Paula Simões, que ganhou notoriedade nas redes sociais, agora se vê no centro de uma investigação profunda da Polícia Federal. Acusada de ser a ‘herdeira operacional’ de um esquema vinculado à máfia italiana ‘Ndrangheta’, Paula foi presa em setembro, levantando muitas questões sobre o seu passado e a origem de sua fortuna.
Em 2022, ela já havia sido condenada por lavagem de dinheiro, após a Justiça Federal descobrir que a compra de dois apartamentos em São Paulo, avaliados em R$ 1,9 milhão, foi feita com recursos oriundos do tráfico de drogas, especificamente do marido Patrick Assisi. Os imóveis, adquiridos em áreas nobres da capital, foram registrados em nome de Paula, que na época se declarou solteira, embora tenha se casado com Patrick apenas quatro dias depois da transação.
A defesa de Paula afirma que ela nega todas as acusações e argumenta que nenhuma droga foi encontrada com ela. Contudo, a Justiça considerou que as aquisições de bens foram realizadas para mascarar a verdadeira fonte de renda, e evidências mostram que a empresa criada pelo casal só surgiu após os investimentos em imóveis.
Além das propriedades, o Ministério Público também apontou uma tentativa de lavagem de dinheiro por meio da compra de um carro BMW, que Paula afirmou ter recebido como presente. No entanto, essa acusação foi posteriormente descartada pela Justiça. Apesar disso, ambos foram condenados a mais de três anos de prisão, pena que foi convertida em prestação de serviços comunitários e pagamento de multa.
Após a prisão de Patrick e seu pai, Nicola Assisi, em 2019, Paula supostamente assumiu a coordenação de atividades criminosas, utilizando o codinome ‘Chanel’ para se comunicar com fornecedores de drogas e investidores, segundo as investigações. A PF revelou que ela estava diretamente envolvida na logística de tráfico de cocaína e na movimentação financeira da organização criminosa.
Um dos novos nomes mencionados nas investigações é o de Elton Leonel Rumich da Silva, que tem ligações com o Primeiro Comando da Capital (PCC) no Paraguai. Além disso, um advogado de Santos também foi implicado, acusado de facilitar a comunicação entre traficantes internacionais e de ajudar na lavagem de dinheiro.
As investigações revelaram ainda um esquema de movimentação financeira que envolveu mais de US$ 6 milhões, utilizado para adquirir drogas e sustentar a operação da máfia. A Polícia Federal está atenta a essas ligações e continua a investigar as atividades do chamado “clã Assis”, que parece ter se expandido para além da ‘Ndrangheta’, envolvendo também o PCC.
Com a situação se desenrolando, a defesa de Paula mantém que as acusações são infundadas e que não há provas concretas de envolvimento em atividades criminosas após a prisão de seu marido. A comunidade e os seguidores da influenciadora agora se perguntam quais serão os próximos desdobramentos dessa complexa trama que mistura fama, fortuna e crime organizado.

