Em um caso que chocou a comunidade de Santos, um atendente do IML foi condenado por usar o celular de um homem falecido para realizar uma transferência via Pix de R$ 7 mil para sua conta pessoal. Daniel Nathan Ribeiro Andrade, que atuava no necrotério local, poderá recorrer da sentença em liberdade, mas terá que enfrentar as consequências de seus atos.
A Justiça decidiu que Andrade, condenado por peculato, deve cumprir uma pena de dois anos e dois meses em regime aberto, além de pagar uma indenização de R$ 10 mil aos familiares da vítima. A juíza Denise Gomes Bezerra Mota, da 4ª Vara Criminal de Santos, deixa claro que a evidência do crime foi irrefutável e determinou que o acusado perca seu cargo público após o julgamento final da decisão.
A tragédia que levou à condenação de Andrade ocorreu em 15 de maio, quando a vítima, um motociclista, perdeu o controle da moto e colidiu contra um poste na Avenida Mário Covas. Após o acidente, a esposa do homem, ao tentar encerrar a conta bancária do marido, descobriu a transferência realizada após sua morte. O dinheiro havia sido enviado para o atendente do IML, o que levantou suspeitas e levou a viúva a registrar um boletim de ocorrência.
Segundo informações obtidas, a transferência foi feita enquanto o corpo da vítima ainda estava sob os cuidados do IML. O celular do homem, que foi entregue à família danificado, apresentava sinais de manipulação, como a ausência de mensagens e mídias no WhatsApp, o que gerou mais desconfiança sobre o que realmente aconteceu enquanto o aparelho estava sob a custódia de Andrade.
A Corregedoria da Polícia Civil prendeu o atendente no dia 8 de junho, mas ele conseguiu a liberdade provisória após um habeas corpus. Apesar de se dizer arrependido, Andrade, que já tinha oito anos de experiência na função, alegou que cometeu o crime por dificuldades financeiras. Ele também afirmou que o celular da vítima não tinha bloqueios que impedissem o acesso, facilitando a transferência fraudulenta.
Esse caso levanta questões sobre a ética e a responsabilidade dos profissionais que lidam com situações delicadas, como a morte de um cidadão, e a confiança que a sociedade deposita neles. A população aguarda agora os próximos passos legais e a resposta do sistema judiciário diante dessa grave violação de confiança.


