O Porto de Santos, um dos mais importantes do Brasil, deu um passo significativo em direção à sustentabilidade com o início do abastecimento regular de navios com etanol. A Autoridade Portuária de Santos (APS) anunciou que, na última segunda-feira (19), ocorreu a segunda operação deste tipo no país, novamente no navio CMA CGM IRON, que já havia sido abastecido em julho. Essa inovação promete transformar a forma como o transporte marítimo opera no Brasil.
Com a previsão de mais abastecimentos até o final do ano, a APS destaca que atualmente existem 159 embarcações aptas a usar etanol como combustível, segundo dados da Det Norske Veritas (DNV). Além disso, mais de 450 novos navios com essa tecnologia estão programados para serem entregues até 2030, sinalizando uma mudança significativa na frota marítima.
O CMA CGM IRON, um porta-contêineres com capacidade para 13 mil TEUs, é o primeiro do mundo a contar com um motor tricombustível certificado para operar com etanol. O abastecimento é resultado de uma parceria entre a CMA CGM, Copersucar, Bunker One, AGEO Terminais e Santos Brasil, que se uniram para trazer essa alternativa mais limpa para o transporte marítimo.
Tradicionalmente, os navios utilizam combustíveis fósseis, como o óleo marítimo, que geram grandes quantidades de emissões poluentes. O uso do etanol, produzido por usinas ligadas à Copersucar e transportado pela Evolua Etanol, representa uma solução promissora para mitigar esses impactos ambientais. O combustível é armazenado pela AGEO Terminais e, para garantir a segurança do abastecimento, a Bunker One desenvolveu um protocolo específico, levando em consideração as características do etanol.
A operação de abastecimento de julho foi um marco importante na trajetória do Porto de Santos e, agora, com o início da fase regular, a APS espera demonstrar que o etanol pode ser uma alternativa viável e segura para o transporte marítimo. A descarbonização das operações portuárias é uma meta que está se tornando cada vez mais palpável, trazendo benefícios não apenas para a indústria, mas também para a comunidade local e o meio ambiente.


